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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mulheres, jornalistas e o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa - não necessariamente nesta mesma ordem

Já passa de meia-noite e por isso já encerramos o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. Sites como o  do Reporters Without Borders (Repórteres sem Fronteiras) ou Knight Center of Journalism registram diariamente ameaças, abusos e mortes de jornalistas por todo o mundo, com destaque para México, Venezuela, Oriente Médio, entre outros. Mas poucas são as abordagens diretas a casos de estupro e de violência a mulheres jornalistas. Lara Logan, correspondente da CBS, cobria em fevereiro a queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, quando foi estuprada por algo entre 200 e 300 homens. Não é engano de digitação, nem de leitura, nem exagero: é realidade, triste, mas real. E é realidade também que as mulheres sofrem com essa violência muito mais do que imaginamos no Egito - considerado um país pouco afeito aos radicalismos ao ponto da própria notícia da presença de um ditador por tantos anos ter surpreendido muitos, mas obviamente é um país com abertura para ditadores e estupradores, estes de certa forma bastante tolerados. Vale, ainda, a lógica do "o que é que ela foi fazer lá", "ela 'pediu' isso", e por aí vai. E, infelizmente, o Brasil ainda considera válida essa lógica em muitos casos.

A entrevista da jornalista ao 60 minutos, da CBS promete ser a única, não só porque ainda será uma ferida aberta por algum tempo. Novas coberturas do gênero ainda serão difíceis para a profissional. Mas ela não quer virar "a repórter estuprada no Egito", quer ser sim mais uma mulher que luta para que esse tipo de atrocidade não se repita com outras, e é por isso que neste dia em que se fala de Liberdade, mais do que de Imprensa, cito a de Gênero.

A data de hoje foi resultado de uma conferência da UNESCO em 1993, mas o cenário que se pretendia divulgar para evitar a repetição ainda precisa mudar muito. A escolha também marcou uma Declaração emitida em prol da independência e liberdade de imprensa Africana.

Pois Lara Logan era Sul Africana, mas trabalhava para a americana CBS naquela data. Os relatos, para quem não domina o inglês, são bastante chocantes, e a força que ainda demonstra talvez indique inclusive que nem a ficha tenha caído totalmente. Afinal, ser "tragada" por uma multidão ensandecida que começa a gritar que iriam tirar suas calças, cumprir a promessa, afastar colegas e seguranças, ser puxada, agarrada, despida sentindo as roupas serem rasgadas e estuprada com mãos, dedos, ser fotografada nessa situação por celulares de centenas, e em menos de três meses estar à frente das câmeras novamente, conseguindo inclusive manter certa empolgação sobre o momento histórico presenciado em um dia que certamente desejaria esquecer, é, se não heróico, quase insano. Pode ter vindo dos casal de filhos a força que precisava - e cabe relatar que ela mesma diz ter agradecido a nova chance, já que ela saiu de perto deles, o eterno dilema das mulheres que "trabalham fora".

Outra parte igualmente forte é o contraste entre a cobertura e entradas ao vivo que a equipe estava fazendo, relatando a alegria do povo, quando, de repente, há um problema no equipamento, uma luz se apaga, outra, de repente ouve-se o grito da jornalista dizendo "não!" e uma escuridão toma conta do vídeo. É essa escuridão que ficou na minha memória, até mesmo porque lembro sempre de uma frase que vi escrita em uma foto de uma cela do Presídio Central de Porto Alegre anos atrás em um laudo pericial que dizia: "não esqueça que até as sombras te deixam sozinho na escuridão."

Depois desse momento é que inicia o desespero da profissional, que relatou que as demonstrações desse desespero só estimulava os agressores, que apreciaram sua dor e seguiram o estupro e puxões de cabelo, que, por pouco, não resultou em um quase escalpo.

Aos homens que que lerem esse texto, assistirem os vídeos ou virem qualquer outra referência a este fato, lembrem-se sempre do relato de impotência e desespero dos colegas homens de Lara Logan.

De qualquer forma fica aqui a reflexão e a homenagem aos colegas que trabalham mundo a fora para mostrar às pessoas tudo de bom e de ruim que o ser humano é capaz.



segunda-feira, 2 de maio de 2011

O dia em que decidimos que matar é bom

Anotem a data: 02 de maio de 2011. Tinha que ter um 11, para lembrar aquele, de setembro, há 10 anos. Naquele dia, milhares de mortes foram lamentadas, orquestradas por uma pessoa que, ao morrer assassinada, levou outros milhares às ruas para comemorar. É nossa nova maçã, aquela em que decidimos ser deuses e expomos a vergonha ao mundo. Nada, nunca, vai justificar aquelas mortes, mesmo a parceria quase irônica dos próprios Estados Unidos com Osama Bin Laden décadas atrás. Mas não é menos bárbaro ver milhares de pessoas festejando a morte de alguém como se fosse a conquista de um título de Copa do Mundo. Entendo o alívio e até mesmo o sentimento de vingança. Mas a manifestação não apenas demonstra o alcance da degração social generalizada como abre espaço para mais ódio, ou seja, é possível que outros Osamos venham aí. 



Originalmente publicada em http://noticias.uol.com.br/album/110502festamortebinladen_album.jhtm#fotoNav=9

Imagens semelhantes a esta me deprimiram bastante hoje. Por isso mesmo vou manter aqui o tom sóbrio - essa é a palavra que o assunto merece. Quem quiser ler mais sobre o tema, recomendo: "Não há razão para comemorar um assassinato", diz historiadora após morte de Bin Laden, entrevista de Thiago Chaves-Scarelli, do UOL Notícias no portal UOL feita com a historiadora Maria Aparecida de Aquino, professora em História Social da Universidade de São Paulo (USP); e Conselho de Segurança da ONU "celebra" morte de Bin Laden, da AFP também para UOL.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Museus tuiteiros: + de 1.500 museus no Twitter

"Quem vive de futuro é museu", de Ana Paula Gaspar, foi o post finalista do YouPix abordando a interatividade dos museus na Internet e em redes sociais como Twitter e Facebook. O primeiro a repassar foi o Museu das Minas e do Metal:

Post "Quem vive de futuro é museu"
Post finalista do  cita o @ @@ como exemplos de interação com as mídias sociais:




O mesmo museu tem divulgado a hashtag #museustuiteiros, e junto com o Museu de História da Medicina do RS, juntamente com outros museus de Porto Alegre, incentiva nos semanais #FF que outras pessoas sigam museus nas sextas-feiras.


@muhmrs
   @ @@ @ @@ @

Esses mesmos museus realizaram um evento dentro da Primavera dos Museus no mês de setembro de 2010 que tratou de Museus e Redes Sociais, agregando e estimulando a criação de perfis por parte de outros museus (mais detalhes no post Museus e Twitteiros reunidos na 4ª Primavera de Museus).

Participaram o Museu do Inter, o projeto Memória Carris, Margs, Fundação Iberê Camargo, Museu da UFRGS, Memorial do RS (os 2 últimos ainda não tinham Twitter e Facebook na época) e ainda o Museu da Comunicação, que recém havia lançado seu site.





A relação futuro e museu, explorada no evento de Porto Alegre, também foi, portanto, o mote do post finalista do festival do citado YouPix, que é uma iniciativa que pretende discutir e divulgar a cultura digital - aliás, o número de iniciativas do gênero apenas crescem.

Cultura Digital em www.youpix.com.br
Depois dos museus que utilizam recursos tecnológicos na visitação e na divulgação, e de iniciativas como o Google Art Project, um museu que chegou ao 3D na web foi o Adobe Museum, de design. Apenas online, mas de acordo com a proposta, não deixa de ser um museu.

Alta tecnologia no Adobe Museum www.adobemuseum.com

As iniciativas não são poucas. O post E eis que o Google bota os Museus na roda e na rede já abordou o citado Google Art Project de visitas em 360º; outros dois trataram do esperado 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, que envolve instituições em uma campanha mundial pelo Doodle do Google (post ICOM lança IMD 2011 e apoia Doodle4Museums 
Doodle 4 Museums: Google virou objeto de desejo).

Museum 3.0 e o futuro http://museum3.org/


O Museum 3.0 vai mais longe e pergunta: como será o museu do futuro? E algumas pessoas estão empenhadas em descobrir. É o caso de iniciativas divulgadas em perfis como o , que em 2010 incentivou museus do mundo a destinarem um dia para responder perguntas pelo Twitter. A segunda etapa foi um levantamento que já registrou mais de 1.500 museus pelo mundo presentes no microblog - o que ainda é muito pouco, diga-se de passagem - e agora divulga uma pesquisa (em inglês) sobre a presença e aproveitamento dessa presença dos museus na web.

terça-feira, 22 de março de 2011

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Museus participam de ação online em escala mundial com pouca adesão de brasileiros


Museus do Brasil
O Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM))  participou do dia de perguntar a curadores de museus, mobilização mundial realizada pelo Twitter @Askacurator e localizável com as hashtags #AskaCurator e #AskCurators. 
O museu entrou em duas categorias, por país e por temática

Além do MUHM (@muhmrs) a outra única instituição do país a participar foi o Instituto Inhotim (@inhotim).

Presente em diversas redes e mídias sociais, o museu gaúcho reuniu-os em http://meadiciona.com/muhmrs e prepara evento para a 4ª Primavera dos Museus









Museus de História da Medicina
O "Encontro Museus e Redes Sociais: Mediação 2.0" será realizado durante a semana da Primavera, que é uma proposta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e que envolve museus de todo o país. O evento irá reunir principalmente museus já presentes com perfis e canais nas redes, mas também será extensivo a todas as instituições, profissionais e pesquisadores da área e interessados. O debate com profissionais das áreas de Comunicação e Museologia acontecerá em parceria com os Encontros de Twitteiros Culturais do Brasil - ETC Brasil e ETC POA





A intenção é promover a troca de experiências, interação e discussão, além de mostrar que museus gostam sim de novidades e não apenas "de coisas velhas", visão corrente. As inscrições e divulgação oficial devem iniciar nos próximos dias.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Descanso

O viajante está feliz. Nunca na vida teve tão pouca pressa. Senta-se na beira de um destes túmulos, afaga com as pontas dos dedos a superfície da água, tão fria e tão viva, e, por um momento, acredita que vai decifrar todos os segredos do mundo. É uma ilusão que o assalta de longe em longe, não lho levem a mal.

In Viagem a Portugal, Ed. Caminho, 21.ª ed., p. 137
(Selecção de Diego Mesa)

Em tempo:
1. Blog do Planalto traz nota de pesar do governo brasileiro. Até o momento governo português não inseriu em seu site oficial semelhante nota. Não que ele precisasse, claro.
2. Hoje estamos irmanados com Portugal. Dia 25 ninguém mais vai estar...
Portugalvs.Brasil-25 jun. 11:00
Copa do Mundo da FIFA 2010™

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Programa Nuclear do Irã é tema da palestra "Crime ou Castigo?", dia 26 na UFRGS UFRGS Model United Nations

No próximo dia 26 às 10h, acontece no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFRGS palestra sobre o programa Nuclear do Irã, com o título "Crime ou Castigo?", proferida pelo diplomata Thomaz Napoleão. A promoção é do Curso Atlas e UFRGSMUN - UFRGS Model United Nations. Maiores informações pelo e-mail ufrgsmun@ufrgs.br ou pelo twitter @ufrgsmun.

sábado, 15 de maio de 2010

IV Encontro Iberoamericano de Museus terá transmissão online

De 24 a 26 de maio acontece em Toledo, Espanha, o IV Encontro Iberoamericano de Museus. O tema é a institucionalização de políticas públicas na área dos museus nos países da América  e unirá dirigentes do setor museológico de 18 países da Europa e da América Latina: Bolivia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicaragua, Panamá, Paraguay, Portugal, República Dominicana e Uruguai.

O Ministerio de Cultura de Espanha disponibilizará transmissão online a partir do meio-dia de 24/5. Programa disponpivel em PDF (202 kb).


terça-feira, 27 de abril de 2010

Cow Parade em Porto Alegre de outubro a dezembro

Nesta terça-feira (27) às 17h será apresentada ao prefeito José Fortunati pelo presidente da Vonpar Alimentos, Ricardo Vontobel, e o sócio-diretor da agência GlobalComm, Alexandre Skowronsky o projeto CowParade Porto Alegre - Circuito das Vacas. A exposição de arte circula há 11 anos pelo mundo e após passar por 58 cidades, inclusive São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, deve chegar a Porto Alegre para exposição entre outubro e dezembro. Nas fotos abaixo, alguns exemplares em Lima, Peru, em dezembro de 2009.


Praça em Miraflores

Parte externa do Shopping Larcomar, Miraflores
Praça Simon Bolívar, Pueblo Libre

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mais um anúncio de Albergue da Juventude para Porto Alegre... será que agora sai?

Com os anúncios de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, em 2014 e 2016, muitas cidades já estão se preparando. Porto Alegre vai receber, no mínimo, jogos da Copa, e provavelmente também receberá atletas e turistas no período de Olimpíadas. Assim - esperamos todos - que não apenas as obras públicas sejam realizadas, já que há muito deveriam ter sido, mas também que as pessoas aproveitem a oportunidade para colocar em prática projetos turísticos. A cidade até hoje não tem um Albergue da Juventude/Hostel, apesar das promessas, mas agora há mais uma possibilidade à vista, que, esperamos, vingue. Esta promete manter o nível dos albergues do resto do mundo. O primeiro de que ouvi falar seria próximo ao Shopping Total, e agora o local será a Cidade Baixa. Ambos tem potencial, a julgar pela localização e atrativos como bares, museus, proximidade de transporte, etc. A conferir.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Oportunidades de bolsas em Portugal e Espanha

Aí vão algumas oportunidades para quem busca bolsas de pós-graduação em países ibéricos.

Portugal
Estão abertas, até 30 de março, as inscrições para bolsas da Fundação Gulbenkian de investigação em Portugal. Os benefícios são voltados para pós-graduados sem nacionalidade portuguesa, que busquem o doutoramento em áreas da cultura do país europeu como história, história da arte, literatura e linguística ou à publicação de trabalhos sobre esses temas. Mais informações na página http://www.fundaplub.com.br/informegeral/ciep/ofertasdisponiveis ou pelo telefone (51) 3027-2650.

Espanha
A Fundação Carolina oferece auxílio financeiro para que jovens graduados de países ibero-americanos realizem cursos de pós-graduação na Espanha. Nesta edição, são oferecidas 1.645 bolsas. Destas, 1.092 são para estudos de pós-graduação, 248 para doutorado ou pesquisas de curta duração e 252 para a formação permanente. Esta última modalidade é direcionada, exclusivamente, a profissionais latino-americanos e espanhóis. Além disso, há 53 oportunidades de bolsas institucionais, que se voltam ao financiamento dos estudos de docentes em universidades espanholas. Mais informações em http://www.fundacioncarolina.es.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A novela dos turistas brasileiros no Peru

Finalmente parece estar chegando ao fim a novela dos brasileiros presos na região turística de Cusco e Machu Picchu. O Twitter, mais uma vez, foi a ferramenta mais utilizada para que as pessoas pudessem dar seu testemunho online e ao mesmo tempo dar notícias às suas famílias. É o exemplo da gaúcha de São Leopoldo Melissa Dietrich, que estava no Pirwa Hostel, em Cusco, e afirma já ter sido resgatada por helicóptero da região e que a próxima parada seria La Paz, na Bolívia. A ferramenta acabou sendo uma maneira prática também para a imprensa chegar na fonte, ou seja, as pessoas que estavam presas lá, e não apenas receber notícias oficiais, que nem sempre estavam de acordo com o que viviam os turistas.



Exibir mapa ampliado





Outra fonte é o Facebook: na terça-feira a página do Loki Hostel Cusco na rede, onde estive em dezembro, tinha o testemunho de uma funcionária (que postou assim, mesmo, em inglês, como a maioria da equipe do hostel...), que desde então não atualizou, mas dá uma ideia do clima naquele momento.



Celeste Woolley Due to the heavy rains that have been falling in recent days, there are significant problems in the Cusco region and routes to Machu Picchu are currently blocked. There will be no tours or treks leaving for the Sacred Valley or Machu Picchu for what looks like at least 3 days.



The Peru rail lines are currently blocked ...






Já o site oficial do hostel traz, além do texto reproduzido no Facebook, a indicação (embora não confirmada, mas há um e-mail para contato) de que está tudo bem no albergue, pois apenas não se compromete em agendar roteiros turísticos na região, mas aceita hóspedes e ainda realiza no seu bar interno um "quiz" para arrecadar fundos para os moradores locais - o que, aliás, é um hábito saudável no hostel, apenas reforçado com o problema atual.

Há ainda o site do governo de Cusco, mas embora haja uma lista de pessoas resgatadas, ela não é atualizada desde quarta-feira, e não é à toa que 57% das pessoas marcaram na pesquisa sobre a qualidade do site que ele "pode melhorar" - afinal, não havia qualificação pior que esta... 



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Continuamos INcapazes ou ainda no "otro lado del río"





Cusco em dezembro de 2009, vista do albergue na Cuesta de Santa Ana

Sabe aquele ditado que diz "cuidado com o que deseja, pode acontecer"? É o que devem estar pensando os turistas presos em Cusco, Machu Picchu e Aguas Calientes, no Peru, após as chuvas torrenciais que provocaram a elevação do nível do rio Urubamba - que em dias de chuva fraca é bastante agitado - e deslizamentos de terras que resultaram em quedas de pontes e interrupção de trilhos. Eu tive mais sorte ao fazer a mesma visita, e embora soubesse que era o início da estação das chuvas, não me assustei - e fique claro que não me arrependo e continuo recomendando apesar de tudo que vi e escrevi - pois sempre disseram ser raro chuva forte como ocorreu e que por isso mesmo surpreendeu. No entanto, isso não se aplica a quem faz trilhas, que deveria mesmo evitar o período.


Rio Urubamba, em Aguas Calientes, em um dia de chuva fina de dezembro (2009)

Acontece que no ano passado ouvi em Madri que lá é raro nevar, e neste ano também houve exceção. Culpa de São Pedro, da mãe natureza, ou nossa? E, mesmo assim, e as providências tomadas após o ocorrido, são satisfatórias?


Estação de trem onde estão os turistas (em um dia normal, dezembro 2009)



Os turistas vão sair de lá, felizmente, em segurança, ao menos a imensa maioria. Mas e a população que fica?


Caminho para Machu Picchu (dezembro 2009)



A ponte por onde passei em Pisac, caiu. Eu não vou passar, provavelmente, pelo mesmo local. As pessoas que moram lá, sim.


Trabalhadora no Vale Sagrado (dezembro 2009)



Os trilhos ligam o caminho que praticamente só os turistas fazem. Qual ficará pronto mais rápido? Talvez o povo de Pisac tenha sorte, afinal, estão no roteiro turístico. O Peru deveria, inclusive, acrescentar uma rota turística para voluntários, já que há tantos que fazem as trilhas e caminhos mais difíceis, para que estes - e também os demais, cada um de acordo com suas possibilidades - auxiliem a população local. São eles que mantêm o que está lá, o tesouro é este, pois foram pessoas assim que construíram as maravilhas que nos deslocamos para ver.



Sorte: céu aberto em Machu Picchu (dezembro 2009)


Para a população local não vi nada muito diferente do que assisti no filme "Diários de Motocicleta". Outro dia comentei, em tempos de Fórum Social Mundial, que, sim, um outro mundo é possível. Mas é lento, bem, mais lento. Em Cusco os nativos comentam em tom de piada que as construções dos Incas estão lá até hoje, e que o que cai foi obra dos INcapazes, ou seja, os colonizadores. Em último caso, após todos estes anos, somos todos incapazes de tomar cuidados, precauções, providências.







Incapazes de subir, que dirá de construir. 


Vi muita sinalização com relação a terremotos, mas nada sobre chuvas. Afinal, há décadas não acontecia nada semelhante. Mas as narrativas (aqui e aqui) dos brasileiros são reais, em Cusco, é frio à noite e pela manhã, e há precariedade em serviços como em toda a AL. Mas, novamente, os nativos vivem isso diariamente. É o "otro lado del río" chegando mais perto...



Peruana caminha sozinha em Ollataytambo - e não apenas lá


Sonhos e pesadelos, enfim, podem caminhar juntos. Um outro fator que pode salvar ou dar dor de cabeça à muita gente, são as companhias aéreas. Outro dia, eu mesma fazendo uma queixa porém sobre outro assunto no Juizado Especial Cível, no Foro Central, em Porto Alegre, conheci um rapaz que iria viajar nesta época a Cusco pela LAN Peru, que também utilizei. Porém, como comprou uma passagem para nativos, teria que pagar uma multa que acabava sendo maior que a passagem, e a companhia se negava a, pelo menos, cancelar a passagem, já que afinal não havia voado. Hoje esse rapaz deve estar agradecendo todo o stress sofrido. O mesmo testemunhei em casa, com uma desistência de viagem na família devido à confusão da recém instalada Taca, que possui promoções ótimas mas problemas sérios na comunicação destas promoções, o que acabou - felizmente - evitando esta viagem que estaria acontecendo bem nesta semana. Eu, particularmente, escapei da segunda. Não sei quanto tempo a sorte me acompanhará, mas me solidarizo com essas pessoas que não são turistas e que vivem essa realidade todos os dias.


Moradores do bairro do Passo, em São Borja, sofrem com a enchente 
Foto:Claudio Gottfried (Zero  Hora, 02/11/2008)

Aqui mesmo em São Paulo, no interior do RS, São Borja, região de Montenegro... para citar alguns. Esse filme eu não quero rever nas manchetes de jornais (aqui, aqui, aqui...), mas ele acaba sempre lá.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Reporters Sans Frontières: "Mémorial des journalistes" sur Internet


Reporters Sans Frontières - Un « Mémorial des journalistes » sur Internet é uma matéria sobre um site que registra informações sobre os jornalistas mortos durante (ou em decorrência) o seu trabalho. Iraque e Filipinas são alguns dos recordistas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Futebol pelo Mundo


Vale Sagrado
Originally uploaded by Escrivinhadora

A exposição temporária "Ora bolas" (do Museu do Futebol) mostra o futebol pelo mundo. Essa é uma foto que fiz entre Cusco e o Vale Sagrado. Mas, no museu, há ainda de lugares como o Tibet, Afeganistão, entre outros. Onde há gelo, a bola precisa ser vermelha (ou de uma outra cor bem viva). Há também uma mostra das bolas utilizadas nas Copas do Mundo, com suas descrições físicas, técnicas e culturais, já que a partir do México começaram a ser inseridas características do país sede.

Hospedagem: nunca subestime ou bote fé demais pelo preço

Que os Albergues da Juventude tem preços acessíveis, todo mundo sabe. Que existem Hostels ou Hostales ou simplesmente hotéis mais simples, que cobram menos, também. O que nem todo mundo sabe é que hotéis mais caros também dão vexame e que os albergues podem ser uma ótima opção.

O primeiro albergue que fiquei foi o St. Nicholas HOSTEL, em Buenos Aires, em 2006. O lugar é legal, tem quartos privativos, também, o local onde se toma café da manhã e acessa Internet parece um jardim de inverno (lugarzinho com vidro e madeira). El desayuno é café e pão com marmelada. Parece pouco, quando se pensa nos brasileiros, mas é suficiente. Mas o local tem muitas escadas e isso pode dificultar o acesso para muita gente, especialmente para quem é jovem de espírito mas já sente a experiência nas articulações. E também é cansativo depois de um dia de andanças de turistas. Aí vieram dois grandes achados: o Cardton Hotel, que tem elevador e preços bem parecido com o de albergues. O café melhorou: aqui servem media lunas! Quartos com tv e banheiro. Ah, sim, no quarto que fiquei  no St. Nicholas não me entendi com o chuveiro, mas isso pode ter melhorado. Lá a Internet era gratuita, mas lenta, bem lenta. No Cardton não tem, mas há vários locutórios próximos. A outra descoberta é um restaurante uruguaio na esquina, o Medio y Medio. Uma boa para ficar com vontade de atravessar a balsa. Adiante comentário sobre o Che Lagarto BsAs (foto).



Recentemente fui pela segunda vez a Montevidéu e conheci também Colônia do Sacramento, Punta del Este já conhecia. Ao menos nas duas primeiras há albergues e hotéis acessíveis, mas posso falar por um hotel que não fiquei mas entrei várias vezes pelo número de pessoas que ficam lá: o Splendido.

O lugar é bem maior do que parece, tem Internet e cozinha, e quartos desde os mais simples aos mais completos. Tem um que parece que uma adolescente acabou de se mudar dali: colorido, com colagens de artistas... bem legal. E  tem os clássicos, com camas de casal, inclusive para o público gay. Enfim, para todos os gostos. Café é opcional. Problemas: tem escadas, também.

E há algo que pode ser problema - ou não: fica próximo ao Teatro Solís e na rua dos principais barzinhos da ciudad vieja.




Ótimo para quem quer sair à noite, ruim para quem quer dormir... a dica é na reserva dizer qual sua intenção para não ficar em um quarto de frente, pois até a banda de Candombe passa em frente com o seu batuque. (fotos)

Mas o problema do barulho não é exclusividade do bairro boêmio, pois eu fiquei em dois diferentes hotéis na c. Paraguay e posso dizer que não dá para ficar em quartos de frente e baixos, pois se ouve o trânsito de maneira insuportável.

Mas os cafés nesses hotéis (Oxford e Continental) são bem bons. No Oxford, que fui em 2009, há Internet gratuita e rápida, além de Wi-Fi grátis.


O grande fiasco foi em Viña del Mar, no Chile, em 2007. Hotel centenário e 4 estrelas, o hotel O Higgins era a sede do congresso que fui participar. Talvez tenha sido inveja dos meus colegas que acharam meu quarto melhor, mas só sei que nesta vez descobri que os percevejos não existem só na música... Eu registrei em foto e vídeo, mas, acredite, não é bonito. Pior ainda é o estrago na pele para quem é alérgico, o meu caso, claro.

A propósito... li recentemente queixa semelhante no Che Lagarto de Copacabana, no site dos Mochileiros. Lamentável, mas parece que felizmente é só lá. Fiquei no Che Lagarto de Lima, no Peru, e foi ótimo, agora em dezembro (2009).



Quarto, banheiro, Internet - gratuita e rápida - e café da manhã muito bons. Aliás, um dos melhores cafés, com o café, mesmo, o chá de coca - óbvio! - bolo, pães, geléia, margarina/manteiga. Tem tv, livros, várias atividades e cozinha se a pessoa quiser usar. Tem escada, mas não muitos lances, se o elevador estiver funcionando fica só um lance pequeno, mas para quem tem dificuldades é problema. Fica numa travessinha simpática no bairro de Miraflores. Em Buenos Aires uma amiga ficou e aprovou e eu fui lá conferir: eles tem um barzinho ótimo. Em Santiago também conheci pessoas que ficaram e gostaram, mas fiquei em hotéis que não foram nem caros, nem baratos, nem tenho nada a destacar, para o bem ou para o mal, a não ser a localização, que eram bem próximas a estações de Metro, o que não era o caso do albergue, que exigiu boa caminhada.

No Peru também há o Loki Hostel, que testei em Cusco (também dezembro de 2009). O café é frio, não perguntem o motivo, mas tem o chá de coca - claaaro - e também pão, geléia e margarina. Quem foi no de Lima gostou e assim como o Che, existe em vários países da região. O barzinho do de Cusco é muito bom, embora as atendentes não entendam uma palavra de espanhol, pois vêm da Europa. Mas na recepção são peruanos. Uma coisa estranha: nenhuma tomada funciona nos quartos, é preciso colocar os aparelhos em pequenos armários na recepção com cadeados. O albergue fica em uma área alta, a Cuesta de Santa Ana, e embora não dê vontade de subir, depois de tantas caminhadas que se faz por lá, é só pegar um táxi, que lá é muito barato. Aliás: local com muitas escadas e obstáculos, embora o local seja bem acolhedor.



Tanto em Lima como em Cusco os armários eram embaixo da cama, mas era preciso ter o seu cadeado. E é importante chavear, porque a porta fica aberta, coisa que não acontece nos albergues europeus, sempre recebemos uma chave, em geral eletrônica.

Já que estamos no mundo hispânico, em Madri não fiquei em AJ, mas é um albergue, também, porém  Metropolitano. Ótimo, inclusive porque decidiram me dar um quarto privativo com tv e banheiro por conta deles, com a chegada de um grupo grande de portugueses. Mas não é só isso, o barzinho é legal, assisti Real Madri x Barcelona lá, e o café da manhã é o melhor dos albergues que fiquei na Europa, com café, pão, bolinho, etc. Agora, frutas, é difícil... A Internet é gratuita e rápida. Primam pela segurança, são bem "chatos", no bom sentido, com relação a isso, pois estão em uma área central com muito apelo tanto para turistas como para prostitutas - e não estranhe se acrescentarem que elas são, muitas vezes, brasileiras...

Outro local em que sentimos forte a questão da imigração ilegal é em Barcelona. O "casco viejo", ou seja, a parte mais antiga, foi tomada por pessoas de toda a parte e há tensão inclusive entre os próprios imigrantes, e essa sensação pesada não é muito melhorada pelo ambiente gótico geral... mas a localização, do Center Ramblas Youth Hostel, ainda assim, é ótima, pois como diz o nome, fica próximo às Ramblas, ao mercado  Boqueria - que não é nada que os brasileiros vão se admirar, mas é uma ótima oportunidade de comer frutas - e a estações de Metro, teatros, etc. O local tem armários nos quartos que tem o sistema de pagamento com devolução. Em compensação, os chuveiros não tem porta, apenas cortinas, e isso, para quem viaja sozinha e é mulher, dá insegurança, especialmente se, como aconteceu, o banheiro masculino está estragado e o pessoal fica com preguiça de ir em outro andar. O café da manhã é simples, mas bom: cereais, leite, café, pão...


Bem, em todos os locais acima o pessoal foi sempre muito atencioso. Em Paris, é claro, é que houve um pouco de, digamos, ausência de alegria no atendimento. Tudo isso foi em dezembro de 2008. O Le D'Artagnan é muito bom, mas é preciso chamar a atenção para algumas coisinhas... O fato de ficar nos limites da cidade não é problema, já que há Metro, e tem bicicletas em frente, e ainda um supermercado na esquina. Mas a Internet é paga (em Euros, lembrem-se) e lenta, e travada, e estressante... e a luz do lugar onde se acessa é péssima. Além disso os lockers, também pagos, é longe dos quartos, o que dá para fazer é amarrar/acorrentar e colocar cadeados nas malas. Tem pia nos quartos e banheiro e chuveiro do lado de fora, mas bem bons e limpos. O café é parecido com o de Barcelona, mas melhor apresentado e há mais opções de café, geléias, etc. E o pão é francês (capaz!)... Há também um bar bem legal no local e maquininhas automáticas para tudo: salgadinhos, doces, refrigerantes, cadeados, adaptador, chaveiro, dicionário, cartão telefônico e de Internet, e, com tanta máquina, tem ainda uma só para trocar notas por moedas.


Para finalizar a sessão internacional, o Youth Hostel London Central (foto).



Ao lado de uma estação de rádio da BBC, mas eu só me dei conta depois de um tempo por sair sempre pelo outro lado. Então, fica a dica: dê uma volta em volta do albergue que ficar, sempre que possível. Você pode estar perdendo algo que está logo ali.

O atendimento é ótimo - a menina mais simpática, adivinhem, era uruguaia, mas é preciso fazer justiça com os londrinos: eles são muito educados e atendem bem, apesar da fama de serem educados com fleuma, sabem ser simpáticos. O quarto peca apenas porque os armários não tem fechadura. Mas tudo tinha uma cara de ser tão novinho, que provavelmente já colocaram. Parece que a gente está na casa de uma amiga, e não em um albergue. O banheiro, como eu estava no térreo, era adaptado. Sim! Um albergue totalmente adaptado, com rampas, lugar para a pessoa se segurar no banheiro e tudo mais o que é necessário, inclusive uma cama mais larga. O local é (ou está como) novo, bonito, etc, mas a Internet... cara, MUITO cara... (em Libras, lembrem-se!) e LENTA, MUITO lenta... e não tem café da manhã, tem que comprar. Mas há minimercados próximos ao local, que também é perto da estação Great Portland do Metro - por sinal, e não acredite se disserem outra estação, vai andar mais, à toa...

Detalhes à parte: compartilhar quartos é sempre uma experiência única e rica, na qual é possível conhecer muita gente e exercitar idiomas e tolerância. Pode ser também cômico ou trágico, ou ambos.


Em Londres, por exemplo, conheci meninas muito legais (foto), do Japão, Singapura, Suécia e Espanha. E acabamos nos unindo e trocando contatos (falo até hoje com algumas no Facebook) por conta da tal roomate cadeirante do post anterior, que resolvia desfilar seminua até o banheiro, e ainda soltar gases... Ah, nudista não aparece na foto.

Eu estava em um outro beliche também em cima, então, só ouvi, não senti. Acabamos rindo muito de tudo isso.


Uma coisa interessante é que em nenhum lugar eu fui ou vi ninguém ser assaltado, e olha que o pessoal deixa muitas coisas soltas fora dos armários. Também nunca tive problemas em quartos mistos, acho até que os homens são mais organizados que as mulheres. Enfim, é uma experiência positiva, quase sempre, mas exceções acontecem e não podemos facilitar.

Em breve observações sobre Rio, Salvador, Porto Alegre e São Paulo, embora só tenha me hospedado na última. Outro futuro post vai tratar de idiomas, viajar sozinha e suas dificuldades: insegurança, segurança pública, solidão, tédio... E, especialmente no quesito idioma, adianto que o post poderia se chamar, com o perdão dos termos: "Foda é minha mãe, eu sou fodinha...", pois ela foi sozinha para lugares onde eu poderia facilmente responder "saúde!" e ser uma palavra, ao invés de um espirro... E ainda tem o capítulo "avós". Aguardem.