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quarta-feira, 4 de março de 2009

Ignorância: prerrogativa não é nossa

Falta de educação e de respeito não são prerrogativas brasileiras, infelizmente. E quando vemos alguém que a vida toda imaginamos ser referência em termos de elegância, cultura, fazer um comentário ignorante e infeliz, ou tratar sua memória com descaso, sentimos uma mescla de "ainda bem que não foi um brasileiro quem disse" e de "até tu, Brutus", além de um "este mundo está perdido". Hoje mesmo os jornais noticiaram o incêndio do prédio do arquivo de Colônia, na Alemanha. Por aqui é sabido que arquivos são, na grande maioria, locais para onde vão os arquivos "mortos", pessoas que não se enquadram ou não são desejadas em outros lugares, os piores móveis nas piores condições ambientais.

Salvo honrosas excessões - e Porto Alegre vai bem, obrigada, com relação a seus arquivos públicos e históricos - é este quadro da dor na moldura do desespero que encontramos. Outro exemplo gringo: visita a Oxford e o guia londrino aponta para uma casa, a mais antiga. "Estão vendo esta casa? Talvez estejam surpresos com uso comercial dela no térreo, mas o que vocês queriam, que abrissem nela um museu, que não dá dinheiro?". Ai. A propósito: os museus por lá são, na maioria, gratuitos. Investimento ou percepção da alienação geral? Afinal, a agente de imigração também pareceu achar que os museus só merecem ser visitados se tem uma exposição famosa, e não por seu acervo permanente. Enfim, faixas enormes salientam a gratuidade. Em compensação as igrejas e palácios...

Foto: Letícia CastroLouvre: avisos nas paredes alertam para risco de inundação. A quantidade de pessoas nestes museus, aliás torna a proibição de fotografar ao menos sem flash algo inútil. E não culpem os japoneses, é generalizado. A ignorância é extremamente democrática. De qualquer forma, lá ainda há monitoramento e isolamento adequados, o que em geral não acontece. Falando em museus, os da Europa levaram grande parte das relíquias de Egito e Oriente Médio para lá.

Mas, se alguém quiser conferir in loco, o Museu Nacional do Iraque, de Bagdá, reabriu (embora ainda não completo) no final de fevereiro.
Foto: Portal Arabesq com Al-Jazeera

2 comentários:

A Flor do Sul disse...

Al hamdu lillah!

Ainda bem que o Museu Nacional do Iraque reabriu.
Mas, não culpemos os europeus (em especial os ingleses, os franceses e os alemães) por terem roubado as relíquias culturais do restante do mundo. afinal, é polêmico este tema, pois o passado da humanidade não tem dono - ou seria dono que dele melhor cuidasse.
E, na época, esses países eram apenas sombras do que um dia foram.

A Escrivinhadora disse...

É verdade, Hakim, com esta parte do cuidado eu concordo, para que nada se perca. Mas sabes como é, cada um tem uma visão do que é cuidado. Os EUA, por exemplo, estão de olho na Amazônia há anos, e não acredito que seja apenas por vontade de cuidar do meio ambiente... Conhecimento é poder (no caso dos museus) e recursos naturais, então, nem se fala. Depois, a justificativa recorrente de que guerras poderiam destruir o patrimônio é muito relativa, já que americanos e europeus estiveram envolvidos na maioria delas... Enfim, ao menos o patrimônio em questão se salvou.