Maioridade penal
- Pai, essa lei da maioridade aí é pra pegar aqueles maiorais que foram presos naquela "Operação Furacão", né? É porque eles são grandões e tem bastante idade?
- Não, filho. E eles não tão mais presos...
Espaço para comentar notícias, falar sobre o cotidiano, política, comunicação, e a cultura que nos leva a ser quem somos. Ou será o contrário?
- Pai, essa lei da maioridade aí é pra pegar aqueles maiorais que foram presos naquela "Operação Furacão", né? É porque eles são grandões e tem bastante idade?
- Não, filho. E eles não tão mais presos...
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Um dia de tédio: chuva e nada na TV.
Um dia de pânico: chuva, nada na TV e crianças.
Um dia de loucura: chuva, nada na TV, crianças e falta de luz.
Se tiver ao menos uma vela, já ouviu falar em livros?
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Então o guri perguntou:
- Pai, quem era o teu herói quando tu era pequeno?
O pai pensa logo no Super-Homem, Batman, Homem-Aranha. Também pensa no Pelé, mas ele tem falado tanta besteira... Fica em dúvida.
- Ah, meu filho, eram tantos, o pai contava pra nós as histórias dos super-heróis e a gente ficava na dúvida, cada semana eu tinha um preferido, porque todo o domingo ele comprava uma revistinha diferente.
O filho faz uma cara estranha.
- Sei...
O pai pensa que é porque nos quadrinhos a moda é X-Men, e por aí. Mas ele não é tão velho assim, todos aqueles heróis ainda tem seriados, filmes na TV e...
- ... Eu prefiro os heróis da vida real, pai.
Uns 5 segundos depois de quase cair duro, o pai se anima, afinal, o filho é muito mais inteligente do que pensava, mais sensível, precoce, até.
- Meu filho, tu tem toda a razão, pensando bem, meu pai era meu herói, ele...
- Trabalhou na TV?
- ... er... não?! Ele trabalhava numa farmácia, no interior, e quando as pessoas não conseguiam falar com o médico, ele acabava ajudando, depois de tantos anos de experiência.
- Ahm. Mas então ele ficou famoso?
- É, dá pra se dizer que sim, na cidade todo mundo conhecia ele.
- É que naquele tempo não tinha TV, né, pai?
- Meu filho, teu pai é novo, e teu avô também, nessa época já tinha TV, sim. Só quando ele era pequeno que não, aqui no Brasil.
- Mas se tivesse ele teria aparecido na TV?
- Não sei, meu filho, como é que eu vou saber? Não precisa aparecer na TV pra ser herói.
- Não????
- Bem, hoje em dia aparece de tudo na TV, mas tem muita gente que não aparece. E heróis não são comuns. Afinal, quem é o teu herói?
- O Alemão, ué. Ele não é comum, ele ganhou o BBB.
O pai pensa onde foi que errou. Depois lembra que cantava que os seus heróis tinham morrido de overdose. E que "heroína" é uma droga. E que esqueceu que Big Brother era um livro do George Orwell. E que o Bial deixou de ser jornalista pra apresentar o BBB. E que o presidente diz que herói é ministro, porque ganha pouco.
- Tá bom, filho, mas vamos rápido que eu já tô atrasado pro trabalho. Hoje tua mãe te pega, que eu tenho futebol.
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Então agora funciona assim: aquela história de que na próxima vida se conserta tudo, pode se tornar verdade. Pelo menos se você tiver computador. Daí dá pra imaginar tudo o que quiser: que você é rico, bonito, famoso, pacote completo. Mas é claro que até pra sonhar é preciso um mínimo de estrutura. Além do computador, tem que ter familiaridade com o sistema. Ao, menos, agora, não precisa ser bilíngüe, pois foi lançada uma versão em português da sensação do momento, o Second Life. Até mesmo grandes empresas, multinacionais, já lançaram seus escritórios no mundo virtual. Não que você seja obrigado a ter negócios lá, mas sabe como é, o mundo é das aparências, mesmo aqui. Fica feio não estar no sistema, ou estar e não dançar conforme a música.
Cada vez mais, em vez de acharmos solução para as diversas formas de exclusão existentes, damos um jeitinho de nos isolar - e aos outros - cada vez mais. Já há algum tempo, fui em uma reunião com pessoas familiarizadas com Internet, chats, IRC e ICQ - o orkut e MSN/Skype da pré-história, onde as pessoas se tratavam pelo seu nick. Eu, inclusive. Só que tive a idéia de levar pessoas NORMAIS junto, que, naturalmente, não entenderam nada. Imagine quem além de normal ainda se recusa ou não tem chance de entrar nesse novo mundo. Não tem chance porque ainda vive a sua First Life, com direito a fome, sono, necessidade de ganhar dinheiro para sustentar a si, à sua família... "coisa de pobre", sabe? Infelizmente, só no Second Life é que não corre-se o risco de morrer de fome, cansaço, depressão... mais ou menos como aquele slogan de cartão de crédito "pra quem não precisa".
Ontem, assisti a estréia de um novo seriado-reality show - diga-se de passagem, de horrores. Uma mistura de seriado adolescente com o de donas-de-casa que virou uma ode à vida fútil de um bando de peruas ricas. "Meu irmão ganhou uma Mercedes nova e eu só usada, minha mãe não me ama." como assim?! Bem, no Second Life isso também é possível, ou quem sabe naquele jogo The Sims. Mas, e aqui?
Aqui continuamos nos colocando atrás das grades, já que não conseguimos colocar, manter, e menos ainda regenerar quem por merecimento deveria estar. Também não são os integrantes do crime organizado, os grandões, que são presos, esses, no máximo, passam uma vergonha passageira, quando descobertos, mas logo conseguem se safar. É a sociedade midiatizada, globalizada, cada vez mais individualista, egoísta, alienada, acomodada e - é claro - amedrontada. Porque não é só uma questão de comodismo, mas também de medo, pois são os maiorais que estão encabeçando a lista.
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Marcadores: Shows
É estranho ver grandes personalidades da nossa história morrerem, concordemos ou não com o modo como viveram. Hoje, aos 76 anos, morreu o ex-presidente Boris Yeltsin, que ficou no poder de 1991 a 1999, como um dos grandes responsáveis pela queda do muro de Berlim e da URSS. Foi uma figura contraditória, já que foi eleito democraticamente, mas tomou atitudes consideradas por muitos como unilaterais e ditatoriais - e eventualmente violentas, como quando enfrentou a oposição, em 1993. No entanto, seu humor, suas gafes e queda pela bebida acabavam dominando a imprensa, e contrastavam com a seriedade dos líderes comunistas e com a sua própria figura. A confusão em que o país vivia nessa época, com altos índices de corrupção, desemprego e inflação - qualquer semelhança... - contribuiu para a sua popularidade, chegando a ter enfrentado processo de impeachment. Em 1999, passou o cargo a Vladimir Putin, que persiste até hoje.
A Wikipedia em inglês tem mais informações sobre o currículo de Yeltsin, e é mais recomendada que a versão em português - de Portugal - que além de mais resumida, traz o hábito de traduzir até mesmo nomes próprios (nomes de lugares, até vá lá, mas isso não dá pra agüentar: Boris Iéltsin?!) http://en.wikipedia.org/wiki/Boris_Yeltsin
Abaixo, a cena histórica em que Yeltsin faz Clinton morrer de rir na TV. Bem, somente esses dois ex-presidentes poderiam ter protagonizado essa cena...
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Tudo bem que existam fraudes na emissão de carteirinhas escolares e que isto esteja prejudicando tanto os cinemas e teatros como a própria credibilidade da função social que existe nessa iniciativa. Mas daí comparar cinema com lanchonete, é demais. A afirmação foi de Luiz Gonzaga De Luca, executivo da Kinoplex e vice-presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec), segundo o site G1. E, mesmo que os filmes sejam comerciais, ainda são cinema. É esse tipo de exagero que não contribui para evoluir o debate, nem para melhorar a sociedade. Cobrar seriedade, sim.
Há também quem misture alhos com bugalhos, como o autor do projeto de lei que prevê meia-entrada para doadores de sangue. Tudo bem que tem que estimular, mas não dá pra confundir as coisas. Por que é que o governo não dá isenção no Imposto de Renda pra eles, então? Ou na CPMF? Ah, pois é...
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Neste dia do índio, pode-se escolher entre apenas pintar os rostos das crianças nas escolas e contar, fazendo cara de culpado, como fomos maus ao tirar a terra dos índios. Mas, não é só isso. Até hoje, continuamos num processo "não vi, não existe". E como eles existem! Estão nos grandes centros, tentando viver do seu artesanato, estão na busca por terras que um dia foram suas - mas peraí, não era tudo deles?, estão sendo incentivados a arrendar suas terras ao invés de viver nelas segundo seus costumes, estão nas estradas do interior - com crianças correndo o risco de serem atropeladas, estão recebendo brancos como se fossem originalmente de suas tribos, estão querendo estudar, mas faltam pessoas e programas efetivamente preparados para a educação indígena, e estão por aí, falta saber quem eram, quem são e quem se tornaram, e, principalmente, o que ELES realmente querem. A América Latina está aí, com grande parte de índios, além dos descendentes de espanhóis, portugueses e as diversas ondas de imigrantes que vieram depois. Mas os países com maioria de índios ainda são vistos como apenas um povo pobre. O que acontece quando alguém levanta uma bandeira dessas? O que JÁ está acontecendo? O pior cego é aquele que não quer ver.
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Mais uma da série "quem te viu, quem te vê". Aliás, uma, não, pelo menos três:
#1 - Lula e tucanos unidos pelo fim da reeleição
Não que eu concorde com a reeleição, mas é no mínimo engraçado, justo eles defenderem o fim depois de ambos terem se lavado com o expediente. Também podemos voltar a ter mandatos de 5 anos...
#2 - Guilherme Cassel: 'PT e MST têm divergências táticas'
O tom do ministro na Radiobrás hoje pela manhã foi bastante duro para um partido que se elegeu com a reforma agrária como bandeira e que tem no MST uma grande forma de apoio, mesmo considerando o grau de rejeição que também carregam. Afinal, além dos próprios assentados e acampados, os simpatizantes são incontáveis.
#3 - Lula chama Mangabeira Unger para ministério
Depois de ser acusado por Mangabeira Unger de "avesso ao trabalho" e de ter conduzido o "governo mais corrupto da nossa história nacional", chamá-lo para integrar o "Ministério do Futuro", como está sendo chamada a "Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, que terá status de ministério, achar que é só mero afago no partido do vice-presidente é ingenuidade. Agora, resta saber se o brasileiro professor há 30 anos em Harvard vai aceitar.
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Marcadores: Política
Desde que escolheram Tobey Maguire como intérprete do Homem Aranha, bem, não dava pra continuar levando muito a sério o filme. Mas, tudo bem, quem é fã da história agüenta. Agora, até o uniforme mudou. OK, OK, os fãs dos quadrinhos vão dizer que não é de hoje. Mas também não é do, digamos, original, já que essa mudança tem pouco mais de 20 anos, e a história começou em 1962. Na verdade, achei até mais bonito o uniforme. O problema é que ele não é uma coisa boa na história. Mas não vou entregar tudo. Homem Aranha 3 estréia dia 04 de maio. (Clique aqui para o site oficial do filme).
O fato é que as histórias de super-heróis estão cada vez mais diferentes das originais, e não é à toa que até o seriado "Heroes" é tão diferente das histórias que nossos pais liam. Antes eles tinham uniformes, havia mais sonho, idealismo, e, vamos combinar, um certo mau gosto pra roupas, mas era para ser algo fantástico, mesmo. A realidade veio como uma bomba e até as nossas referências de fantasia mudaram - ou acabaram.
Smallville é outro exemplo de que mudar dá samba: inventaram personagens novos (Cloe, por exemplo), promoveram encontros e situações completamente improváveis nos quadrinhos antigos (Lana Lang casada com Lex Luther, que nessa época era até bonzinho??), e deu certo.
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No início da tarde faltou luz em grande parte de Porto Alegre (70% da cidade, segundo o clicRBS), afetando diversas sinaleiras, transmissão de rádios e até o bombeamento de água. A foi normalizada há pouco.
Também nesta tarde houve um incêndio, já controlado, na rua Sarmento Leite, na Cidade Baixa, onde o trânsito havia sido interrompido. Uma morte foi confirmada, de uma mulher que se jogou do 5º andar para fugir das chamas. Ainda não se sabe como o fogo começou, apenas que teria sido no 6º andar.
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