Constituída de dez painéis e um rico acervo, a mostra atual já foi visitada por mais de 1.500 pessoas, desde que inaugurou a nova sede do Muhm. Olhares registra a evolução do tratamento da saúde humana, desde os tempos em que a doença era vista como ação de forças do mal e tratada por feiticeiros e sacerdotes, até o avanço dos estudos acerca da anatomia (estrutura) e fisiologia (funcionamento) do corpo humano, o que permitiu a identificação das causas das doenças, revelando um novo agente de cura: o médico. Entre as principais atrações estão documentos e objetos doados por famílias de médicos que atuaram no Rio Grande do Sul. Além de materiais comuns aos profissionais da época, há também peças desenvolvidas pelos médicos para auxiliar em seu trabalho, como o phantom, que representa a pelve feminina e ajudava nas aulas do curso de partos. Um esqueleto humano importado da França para o estudo de anatomia, diplomas de diferentes faculdades de medicina – incluindo um do tempo do Império, livros e móveis completam o cenário.
Homenagem às mulheres
A partir de 08 de março, marcando o Dia Internacional da Mulher, o Muhm vai destacar o pioneirismo das gaúchas na história da medicina brasileira, a partir da trajetória de médicas que venceram barreiras sociais e políticas para estudar, se formar e prestar atendimento médico quando a atividade era predominantemente masculina.
A exposição vai reproduzir um pouco do contexto da época em que viveu a primeira médica formada no Brasil, a gaúcha Rita Lobato, e suas sucessoras Ermelinda Lopes Vasconcelos e Antonieta César Dias, além de Alice Maeffer, a primeira formada em solo gaúcho. Durante o lançamento da nova mostra também será inaugurada a sala Rita Lobato, dentro do Muhm.
Ícone de toda aluna de medicina, Rita Lobato nasceu em 1866, formou-se em 1887, com a tese Paralelo entre os métodos preconizados nas operações cesarianas, na Bahia. Seus estudos foram iniciados no Rio de Janeiro, quando Porto Alegre ainda não tinha faculdade de medicina. Após a morte do marido, com quem se casou dois anos após se formar, dedicou-se à política, sendo eleita a primeira vereadora do RS, na cidade de Rio Pardo, onde exerceu mandato até 1937. Ermelinda Lopes Vasconcelos formou-se em 1888, no Rio de Janeiro, e especializou-se na França fazendo também cursos na Alemanha. Antonieta César Dias nasceu em 1869 e ingressou na faculdade com 15 anos. Formou-se em 1889, também no Rio. No Rio Grande do Sul, Alice Maeffer foi da primeira turma da FMPOA, concluindo o curso em 1904. Deixou a profissão ao casar com um médico, seu colega de turma, e mudar-se para Antonio Prado.
Outras histórias também serão contadas nesta mostra, como a de algumas médicas ainda atuantes que, além de serem pioneiras, já que o crescimento da atividade profissional feminina ainda é recente, alcançaram níveis de excelência técnica e acadêmica.
O Muhm também vai mostrar o trabalho de outras mulheres, que não viraram médicas, mas que trouxeram – literalmente – luz para muitas pessoas: as parteiras. Algumas, com diploma, sim, do curso de Partos, que em Porto Alegre, foi um dos embriões da Faculdade de Medicina, junto com o de Farmácia. E, como a cura tem na fé uma grande aliada, também as benzedeiras terão espaço na exposição.
Cultura e serviços: Quintas no Museu
Durante a exposição Mulheres e Práticas de Saúde o Muhm realizará, sempre às quintas-feiras, no final da tarde, um evento diferente: conversas sobre saúde da mulher, saraus para discutir obras de autores – médicos ou que tenham abordado a medicina em seus trabalhos – além de atrações musicais. A programação poderá ser conferida no site do museu: www.muhm.org.br, que permite, ainda, uma visita virtual ao acervo, inclusive com peças que não estejam na exposição em andamento.
Entrevistadas
Ao todo, serão 20 mulheres - 10 médicas, cinco parteiras e cinco benzedeiras que representarão o universo retratado na exposição. Conheça algumas delas.
Médicas
Parteiras e Benzedeiras
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